Laertevisão - Coisas que não Esqueci
Laerte Coutinho
O livro de memórias televisivas do maior cronista gráfico de São Paulo.
São Paulo nem sempre foi essa monstruosidade de concreto, poluição, barulho, paranóia e trânsito, pronta para engolir os incautos que nela se aventuram. São Paulo já teve jardins, guerras de mamona, bondes, festas juninas, galos nos quintais. Assim como a televisão nem sempre foi essa máquina de capturar almas, com sexo, violência, programas dominicais e fofocas vazias. A televisão já foi ingênua, com palhaços, desenhos animados sem dublagem, concursos de miss, seriados de aventura.
Esses dois passados acabam se encontrando, magistralmente, em Laertevisão - um livro de memórias reveladas na forma de crônicas gráficas. Na obra, organizada pelo seu filho Rafael Coutinho, Laerte desfia uma série de tirinhas que recordam esse mundo perdido, entre a primeira comunhão e as primeiras noções de arte, entre Mozart e os jogos de futebol, entremeados por lembranças literalmente resgatadas do fundo do baú: fotografias, desenhos de infância, recortes de revistas, dispostos lado a lado com as tirinhas.
Lassie, Além da Imaginação, Aventura Submarina, regras para a guerra entre meninos e meninas, desenhos bíblicos copiados à mão, a morte de John Kennedy, o telão no centro da cidade durante a Copa do Mundo de 1966, beatniks no programa da Hebe Camargo. Uma visão terna, sensível e também muito sincera de uma época que não existe mais, quando o mundo chegava à todas as casas filtrado pelos raios catódicos em preto-e-branco de uma televisão valvulada.
O Autor: Laerte Coutinho nasceu em São Paulo, no dia 10 de junho de 1951. Em 1968, concluiu o Curso Livre de Desenho da FAAP, e em 1969 começou a cursar jornalismo na USP - mas acabou não concluindo. Na ECA (Escola de Artes e Comunicações da USP) fundou a revista Balão com Luiz Gê. Trabalhou nas revistas Banas e Placar e para o jornal Gazeta Mercantil nos anos 70.
Em 1974, produziu material de campanha para o MDB, e no ano seguinte trabalhou nos cartões de solidariedade aos presos políticos. Em 1978 começou a colaborar com o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo - e mais tarde fundou a Oboré, agência especializada em comunicação visual sindical.
Durante os anos 80 passou a publicar nas revistas da editora Circo, como Chiclete com Banana e Circo, trabalhando temas urbanos com tiras como O Condomínio e Piratas do Tietê. Na década de 90 foi roteirista de programas da Rede Globo, como TV Pirata, Sai de Baixo e o infantil TV Colosso. Publicando na Folha de S. Paulo desde 1991, desenvolveu um estilo amis conceitual, com personagens com Deus, Hugo e Os Gatos. Nos últimos anos desprendeu-se dos personagens e seu trabalho ganhou contornos existencialistas, mas sempre com a mesma inteligência e humor que caracterizam seu estilo.
Formato: 21x22,5cm Páginas:128 + guardas + capa dura ISBN: 978-85-7616-257-5
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